A colheita de laranja no interior do estado de São Paulo registra alta nesta temporada, contudo, a retração na demanda da indústria de suco impacta diretamente a rentabilidade dos agricultores rurais. De acordo com o setor especializado, os anos anteriores de valores recordes provocaram uma retração de até 40% no consumo mundial da bebida.
Impacto no mercado e custos de produção Tanto a comercialização interna do fruto quanto a exportação do suco enfrentam desaquecimento, resultando em menor procura pelo citros. Em Olímpia (SP), o citricultor Lucas Ferrantes Fonseca prevê colher 30 mil caixas da variedade pêra-rio, o dobro do volume obtido no ciclo passado.
No entanto, após dois meses de colheita, o agricultor não conseguiu negociar sequer 50% do total colhido. Além da ausência de compradores, o valor pago pelo produto fica abaixo do investimento necessário: enquanto a caixa exige R$ 35 para ser produzida, o preço de venda despencou para R$ 22.
Quebra de safra e alternativas no campo Dados do Fundecitrus apontam que os pomares paulistas e do Triangulo Mineiro sofreram uma retração de 12,9% no volume. Foram 38 milhões de caixas a menos devido aos impactos da estiagem severa, das temperaturas elevadas e da disseminação da bactéria causadora do greening.
Em Guaraci (SP), o produtor rural José Humberto Gazoni adota medidas drásticas para minimizar as perdas, substituindo parte de seus 12 mil pés de laranja-valência por plantações de mamão. Diversas frutas em perfeito estado de conservação acabam descartadas pela total falta de interesse comercial.
Crise na cadeia produtiva A tradicional caixa de 40 quilos, que chegou a valer R$ 70 no auge do mercado, é comercializada atualmente por R$ 33. Produtores locais explicam que, embora o valor do suco tenha subido ao consumidor final e reduzido o apetite pelo produto, o agricultor continua refém da grande indústria para escoar sua safra.
Mesmo diante do cenário adverso e dos prejuízos acumulados ao longo de décadas no setor, os agricultores mantêm a resiliência e buscam alternativas para preservar a atividade agrícola no interior paulista.




