sexta-feira, outubro 9, 2026
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Safra de urucum na Nova Alta Paulista gera alerta por baixa lucratividade

A colheita de urucum de 2026 tem causado forte preocupação entre os agricultores da Nova Alta Paulista, principal polo produtor dessa semente no estado de São Paulo. Embora o Brasil responda por aproximadamente 57% da produção global da especiaria, os valores pagos pelo mercado atualmente falham em assegurar uma margem de ganho viável para quem cultiva na região.

Desafios na lavoura e custos elevados Na cidade de Osvaldo Cruz (SP), a agricultora Maria Aparecida Fafreto conduz sua primeira experiência comercial com mil pés de urucum-anão. Embora o desenvolvimento das plantas seja favorecido pelas condições climáticas e técnicas de manejo, a floração irregular tem elevado os custos operacionais. Durante o período de catação, é preciso retornar repetidas vezes ao mesmo talhão para apanhar frutos que desabrocharam em épocas distintas, exigindo agilidade para que os cachos abertos não percam o padrão de qualidade. Comercializada entre R$ 12 e R$ 13 o quilo, a produção gera um retorno financeiro aquém das expectativas, o que não impede a agricultora de projetar a expansão de seu cultivo com mais mil mudas.

Problemas climáticos afetam volume e qualidade Enquanto isso, no município de Junqueirópolis, o agricultor Marcos Everaldo Altrão contabilizou uma retração de 25% no volume colhido em comparação ao ciclo anterior. Em sua propriedade, que conta com 30 mil pés, o rendimento parou em 15 toneladas. O principal vilão apontado foi o regime de chuvas desregulado: a escassez de água no momento do plantio, somada ao excesso de precipitações na fase de maturação, prejudicou diretamente a integridade dos grãos.

Exigências da indústria e controle de pragas O produtor ressalta que as indústrias compradoras rejeitam lotes com teor de umidade superior a 12%. Para driblar os gastos excessivos na manutenção, Marcos substituiu a capina manual pelo uso de defensivos agrícolas no combate às plantas daninhas.

Perspectivas para o mercado de corantes naturais De acordo com análises do engenheiro agrônomo Eduardo Ribeiro, o cenário atual é reflexo de um descompasso, onde o volume expressivo da colheita não encontrou o mesmo ritmo de crescimento na demanda. Apesar desse desequilíbrio momentâneo, o avanço dos investimentos da indústria alimentícia no setor de corantes naturais traz perspectivas animadoras para a valorização do urucum a longo prazo.

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