A tradicional capital do agro brasileiro não ocupa mais o topo do ranking de valor de produção agrícola. Após liderar o setor por seis anos consecutivos, a cidade mato-grossense de Sorriso encerrou 2025 na terceira colocação nacional, ultrapassada pela nova líder, a também mato-grossense Sapezal, e pelo município baiano de São Desidério.
As informações foram reveladas pela Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), estudo anual conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que avalia o desempenho financeiro, a produtividade e o volume colhido nas lavouras de todo o país. Enquanto Sapezal teve seu faturamento impulsionado fortemente pelo algodão, Sorriso manteve a força na soja e liderou o milho, e São Desidério destacou-se com a dupla soja e algodão.
Entenda a saída de Sorriso do topo
A perda da primeira posição não reflete uma decadência produtiva em Sorriso, mas sim uma combinação entre flutuações de mercado e uma significativa reestruturação territorial. O fator determinante foi a emancipação de Boa Esperança do Norte, novo município criado a partir de terras que antes pertencia a Sorriso (20%) e a Nova Ubiratã (80%).
Com essa alteração no mapa, a área plantada total em Sorriso encolheu 9,3% em 2025. Houve retração nas lavouras de soja, milho e algodão. Contudo, o faturamento da soja no município subiu 21,6%, alcançando R$ 4,05 bilhões, e a cidade seguiu na ponta do ranking nacional de produção de milho.
A trajetória da nova líder Sapezal
Com pouco mais de 32 mil habitantes e situada a cerca de 520 quilômetros de Cuiabá, a nova campeã do agro tem sua economia enraizada na expansão da fronteira agrícola ocorrida nas décadas de 1970 e 1980. O desenvolvimento urbano e rural da região ganhou impulso com a abertura de rodovias e projetos de colonização associados à família do empresário André Antônio Maggi, culminando na emancipação do município em 1994.
O salto financeiro que colocou Sapezal no topo em 2025 apoiou-se no desempenho espetacular de três culturas principais: O algodão herbáceo liderou com R$ 5,12 bilhões em valor de produção (alta de 42,8%); A soja rendeu R$ 2,80 bilhões (avanço de 51,4%); O milho injetou R$ 656,9 milhões na economia local (crescimento de 58,1%).
Impactos da divisão territorial no estado
A criação de Boa Esperança do Norte provocou reflexos profundos em outras localidades. O município recém-criado já estreou na 25ª posição nacional, movimentando bilhões com soja, milho e algodão. Por outro lado, Nova Ubiratã sofreu uma drástica redução de 42,9% em sua área cultivada e despencou da 8ª para a 20ª colocação geral.
Panorama do agronegócio brasileiro em 2025
O levantamento do IBGE também desenhou um cenário recorde para o setor produtivo em âmbito nacional:
O faturamento total do campo disparou 18,4%, atingindo a marca histórica de R$ 927,2 bilhões;
A safra de grãos alcançou 345,4 milhões de toneladas, o maior volume já catalogado;
A soja consolidou-se como líder isolada, gerando R$ 315,2 bilhões e respondendo por 34% da receita agrícola do país;
O Mato Grosso confirmou sua hegemonia estadual ao movimentar R$ 165,6 bilhões, concentrando quase 18% de toda a riqueza agrícola brasileira.




