As exportações brasileiras de carne bovina, incluindo produtos industrializados e subprodutos do abate, registraram uma retração de 25,56% no volume comercializado em agosto em comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 267,34 mil toneladas.
Impacto do mercado chinês nos embarques
O principal fator para esse recuo foi o esgotamento da cota de exportação destinada à China, fixada em 1,106 milhão de toneladas, limite acima do qual as vendas sofrem uma sobretaxa de 55%. Como consequência, a receita gerada pelos embarques no mês teve uma queda de 16,11%, alcançando US$ 1,399 bilhão, conforme levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
As vendas específicas de carne bovina in natura para o mercado chinês despencaram 89,82% em volume (16 mil toneladas) e 89,62% em faturamento (US$ 92 milhões) em agosto. A expectativa do setor é de que as negociações com o gigante asiático sejam retomadas apenas em novembro, já computadas para a cota de 2027.
Desempenho acumulado do ano
Apesar da freada em agosto, o balanço de janeiro a agosto de 2026 permanece positivo. O faturamento total do setor avançou 19,55%, atingindo US$ 12,957 bilhões, enquanto o volume embarcado apresentou uma variação negativa bem mais amuda, de apenas 1,14%, somando 2,387 milhões de toneladas.
A China continuou isolada como a principal parceira comercial do país no período, respondendo por US$ 5,438 bilhões (alta de 9,43%), apesar de uma retração de 7,9% no volume, que ficou em 873 mil toneladas.
Novas oportunidades com os Estados Unidos
Para compensar a baixa nas vendas para os asiáticos, os Estados Unidos ganham protagonismo como o segundo maior importador. O país norte-americano abriu uma nova cota de até 300 mil toneladas isenta da tarifa alfandegária de 26,4% para nações sem alocação específica. A medida, válida entre setembro e novembro de 2026, é dividida em blocos mensais de 100 mil toneladas.
Dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA indicam que 22,16% da cota de setembro já havia sido preenchida até o dia 14 daquele mês. A Abrafrigo reforça que a cota é exclusiva para aparas de carne bovina magra (beef trimmings) e que volumes não utilizados não acumulam para o mês seguinte. Nos primeiros oito meses do ano, as vendas totais para os EUA cresceram 24,75%, chegando a US$ 2 bilhões.
Comportamento de outros mercados internacionais
Enquanto isso, a União Europeia consolidou-se como o terceiro destino da proteína brasileira, com faturamento de US$ 791,3 milhões até agosto (alta de 44,4%). Contudo, o bloco europeu impôs barreiras relacionadas a protocolos de produção livre de antimicrobianos, o que pode gerar uma perda de cerca de 70 mil toneladas e US$ 700 milhões para o setor brasileiro entre setembro e dezembro de 2026, embora o governo siga negociando uma reversão.
Outros parceiros estratégicos apresentaram forte expansão no período. O Chile registrou 106,8 mil toneladas exportadas (aumento de 32,4%), a Rússia ampliou suas compras para 96 mil toneladas (alta de 29,4%) e Hong Kong importou 71 mil toneladas (crescimento de 9,9%). A Arábia Saudita também se destacou com avanço de 24,9% no volume e 56,8% na receita (US$ 297,5 milhões), ao passo que o México foi a única exceção negativa entre os cinco principais compradores, com retração de 18,8% no volume.
No panorama global, a base de clientes do Brasil se expandiu: o país passou de 164 para 171 nações compradoras no comparativo anual de janeiro a agosto, com 126 países elevando suas importações da proteína brasileira.




