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Brics pede calma no Oriente Médio e defende reforma da ONU

A cúpula do Brics realizada em Nova Delhi, capital indiana, terminou com um apelo urgente pela contenção de hostilidades no Oriente Médio, críticas severas a barreiras comerciais e um endosso estratégico às aspirações geopolíticas do Brasil.

Declaração conjunta destaca instabilidade global

O documento final do encontro, intitulado Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade, abordou os principais pontos de fricção na geopolítica atual. Embora o texto evite citar nominalmente conflitos específicos ou nações envolvidas — uma praxe diplomática para assegurar o consenso —, os 11 membros do bloco manifestaram extrema apreensão com a escalada bélica na Ásia Ocidental.

A tensão na região ganhou contornos complexos após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã no início de 2025, seguidos por retaliações iranianas direcionadas aos Emirados Árabes Unidos e à Arábia Saudita. Vale destacar que o bloco atualmente é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Juntas, essas nações respondem por 39% da economia mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional.

Apoio ao protagonismo brasileiro na ONU

Outro ponto de destaque na cúpula foi a defesa enfática da reestruturação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo busca tornar o principal órgão de paz e segurança internacional mais representativo e eficiente para os países em desenvolvimento.

O Conselho de Segurança é composto por 15 nações, mas apenas cinco detêm assentos permanentes com poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Na declaração oficial, Rússia e China reiteraram formalmente o respaldo para que Brasil e Índia assumam papéis de maior destaque dentro da estrutura da ONU, embora o texto não cite expressamente assentos permanentes.

Críticas a tarifas unilaterais e foco em moedas locais

O cenário econômico global também entrou na pauta. Os signatários expressaram preocupação com o crescimento de medidas tarifárias unilaterais que distorcem o livre-comércio e ferem as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as políticas de sobretaxas americanas não sejam citados diretamente, nações como Brasil, China e Índia têm sido os principais alvos desse protecionismo.

No campo financeiro, o bloco avançou em debates sobre mecanismos de pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais, contudo, descartou a criação de uma moeda unificada do Brics ou planos imediatos para desbancar o dólar.

Por fim, o documento priorizou o combate às disparidades sociais. Os líderes ressaltaram que a erradicação da extrema pobreza é o maior desafio do planeta e formalizaram o apoio à criação de um painel internacional sobre desigualdade, proposto em conjunto por Brasil e África do Sul.

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