Há décadas, o estudante Carlos Augusto soube da morte do pai, o ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella, ao ver uma foto do corpo crivado de balas em um telex na Bahia.
A primeira admissão de culpa pelo Estado
Foi somente em setembro de 1996 que a família recebeu o atestado de óbito em que o governo brasileiro assumiu, pela primeira vez, a responsabilidade pelo assassinato. A medida ocorreu com base na Lei 9.140, que criou a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, marcando o início da reparação da imagem do militante, vítima de uma emboscada da ditadura em São Paulo.
Desmistificando a versão oficial da ditadura
Inicialmente sepultado como indigente, Marighella teve os restos mortais transferidos para Salvador após a Lei de Anistia. O ex-presidente da comissão, Miguel Reale Júnior, destacou que o documento ajudou a desmentir a versão policial de confronto, revelando que houve um fuzilamento de uma pessoa sob custódia estatal.
Retificação de documentos e resgate histórico
Recentemente, a família recebeu um documento retificado com mais detalhes sobre a perseguição política, incluindo o reconhecimento oficial da união com a ativista Clara Charf, falecida recentemente aos 100 anos. A medida integrou um esforço para padronizar os registros de mortes violentas promovidas pelo regime.
A luta contínua pela democracia e memória
Para o filho, conhecido como Carlinhos, a reparação vai além do aspecto legal e deve servir de lição para afastar golpes de Estado e conscientizar as novas gerações. Recentemente, a Universidade Federal da Bahia concedeu um diploma simbólico de engenheiro a Marighella, que não pôde concluir os estudos devido à perseguição. Apesar da perda de acervos intelectuais da família, a memória do militante permanece viva como inspiração de resistência e luta.




