quinta-feira, outubro 8, 2026
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Campanha #FazAXepa combate o desperdício de alimentos no país

Em um país onde aproximadamente 55 milhões de pessoas enfrentam algum nível de insegurança alimentar, segundo indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% de toda a produção de comida é perdida. Diante dessa realidade, a mobilização nacional #FazAXepa surge para transformar a relação da sociedade com produtos considerados fora dos padrões visuais tradicionais ou rejeitados por falhas logísticas.

Mudança cultural e valorização dos alimentos

Desenvolvida pela iniciativa Brasil Sem Desperdício — fruto de parceria entre a WWF-Brasil e o Waste & Resources Action Programme (Wrap) —, a campanha atua diretamente em feiras livres, estabelecimentos gastronômicos, redes sociais e canais corporativos. O principal objetivo é ressignificar a expressão popular “xepa”, mostrando que vegetais com formas assimétricas, maduros ou perto da data de validade são ingredientes de alto valor nutricional e comercial.

De acordo com a líder do programa, Luiza Soares, o problema ultrapassa as falhas de planejamento da cadeia de distribuição e atinge comportamentos culturais arraigados. Soares pontua que a rejeição a itens plenamente saudáveis deriva tanto de exigências visuais infundadas quanto de uma ilusão de fartura infinita.

Programação especial no Mês da Alimentação

As ações ganham força ao longo de todo o mês de outubro, período em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro). A campanha envolve figuras públicas, como a atriz Laila Zaid e a chef Bel Coelho, que participam de intervenções em feiras e restaurantes populares para aproximar o debate do cotidiano da população.

Conteúdo educativo nas redes

A estratégia digital inclui a publicação de entrevistas, depoimentos e receitas práticas focadas no reaproveitamento integral de matérias-primas e ingredientes que costumam ser descartados sem necessidade, demonstrando que cozinhar com consciência é acessível a todos.

Impactos climáticos, econômicos e sociais

Além da contradição social frente à fome, o descarte precoce de mantimentos acarreta severos prejuízos ambientais. Toda a água, solo e energia investidos na cadeia produtiva são perdidos, ao mesmo tempo em que a decomposição do lixo orgânico eleva a emissão de gases do efeito estufa, acelerando as mudanças climáticas.

Para Luiza Soares, enfrentar esse cenário exige uma articulação multissetorial imediata. A erradicação desse gargalo depende da cooperação ativa entre a cadeia empresarial, pesquisadores acadêmicos, gestores públicos e a sociedade civil, consolidando novos paradigmas de consumo sustentável no Brasil.

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