Uma missão científica inédita liderada por pesquisadores do Brasil parte neste domingo de Fortaleza, no Ceará, com destino aos abismos da Zona de Fratura Romanche, localizada no Oceano Atlântico. Batizada de The Gap, a empreitada tem como meta mapear e explorar uma imensa formação submarina de mil quilômetros de extensão, situada entre o Nordeste brasileiro e o continente africano.
Tecnologia de ponta para explorar o oceano profundo
A bordo do navio de pesquisas Falkor (too), a equipe utilizará recursos de alta tecnologia, incluindo um veículo operado remotamente e um submarino autônomo. Esses equipamentos permitirão alcançar profundidades de até 4,5 mil metros para coletar amostras geológicas e biológicas das paredes rochosas. A chegada à área de estudo está prevista para o dia 25 de setembro, iniciando-se com o mapeamento acústico do relevo submarino.
Investigação sobre a ressurgência equatorial e o clima
O foco principal dos especialistas é compreender como o fenômeno da ressurgência equatorial — a subida de águas frias e ricas em nutrientes impulsionada pelos ventos alísios — impacta a fauna das profundezas. Com 70% da crosta terrestre coberta por oceanos profundos e menos de 1% desse ambiente devidamente conhecido, o projeto busca gerar dados essenciais para a conservação marinha.
Além disso, a expedição monitorará os reflexos das mudanças climáticas e da acidificação dos oceanos sobre os ecossistemas bentônicos e os recifes de corais. As operações com o robô submarino serão transmitidas ao vivo pelo canal do instituto patrocinador, permitindo que o público acompanhe descobertas em tempo real e participe de interações com escolas selecionadas.
Equipe internacional e cronograma da missão
O grupo a bordo é formado por 25 especialistas de cinco nacionalidades, incluindo seis professores universitários brasileiros de instituições como Univali, USP, UFRGS e UFES, além de sete estudantes e pesquisadores. A conclusão da travessia ocorrerá em Gana, no dia 26 de outubro.
A expectativa da coordenação é que os primeiros relatórios consolidados sejam divulgados em dois anos, embora o material coletado deva render análises científicas e teses acadêmicas ao longo da próxima década. A iniciativa integra o histórico de pesquisas de mar profundo desenvolvidas no país desde 2009.




