quinta-feira, outubro 8, 2026
Google search engine
HomeÚltimas notíciasMorre Zélia Amador de Deus, ícone da luta antirracista no Pará

Morre Zélia Amador de Deus, ícone da luta antirracista no Pará

A professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) e histórica ativista dos direitos civis, Zélia Amador de Deus, faleceu aos 74 anos nesta terça-feira (8), na capital paraense.

Legado na Amazônia e fundação do Cedenpa

A pesquisadora de ciências sociais marcou a história da região norte como uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), além de liderar frentes cruciais na proteção e garantia de direitos das comunidades quilombolas na Amazônia.

Recentemente, em 18 de agosto, a educadora recebeu uma homenagem com o plantio de um baobá na instituição de ensino, ato que celebrou sua contribuição para uma universidade mais inclusiva, plural e igualitária.

Trajetória acadêmica e políticas afirmativas

Ao longo de sua carreira na UFPA, onde atuou como vice-reitora entre 1993 e 1997 e recebeu o título de professora emérita em 2019, Zélia lutou incansavelmente pela democratização do acesso e permanência de grupos marginalizados no ensino superior.

Colegas de profissão e lideranças sociais ressaltaram que a pesquisadora foi fundamental na implementação de cotas raciais, processos seletivos especiais para quilombolas e na valorização dos saberes tradicionais dentro da academia.

Origens e resistência na Ilha do Marajó

Nascida em 1951 na Ilha do Marajó, mais precisamente em Soure, em uma fazenda de gado, Zélia era filha de uma jovem mãe solo. Sua família mudou-se para a periferia de Belém, enfrentando grandes dificuldades financeiras enquanto a mãe trabalhava como doméstica e os avós atuavam na construção civil e lavagem de roupas.

Durante sua trajetória escolar na rede pública, a intelectual enfrentou o racismo estrutural devido à cor de sua pele e ao cabelo crespo. Contudo, guiada pelos ensinamentos de sua avó, aprendeu a jamais abaixar a cabeça e a ocupar com bravura todos os espaços possíveis.

Personalidades da cultura, da história e da educação lamentaram profundamente a partida da ativista, destacando que sua alegria, tenacidade e ensinamentos continuarão vivos como bússola para o movimento negro brasileiro e para as futuras gerações de defensores dos direitos humanos.

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments