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Infestação de mosca-do-estábulo causa mortes de gado em SP

Pecuaristas localizados no noroeste do estado de São Paulo enfrentam uma severa crise sanitária em decorrência de uma intensa infestação de mosca-do-estábulo. O parasita, que se alimenta do sangue dos animais, provoca debilidade extrema, anemia e até óbitos no gado, resultando em perdas financeiras consideráveis para os produtores da região.

Impacto nos rebanhos e prejuízos no campo

Na cidade de Tanabi, criadores relatam cenários alarmantes nas últimas semanas. O produtor Marcos Rogério Bordignon contabilizou a morte de 14 animais, acumulando um prejuízo estimado em R$ 70 mil. Segundo ele, os bovinos ficam visivelmente pálidos e enfraquecidos devido ao volume de sangue sugado pelos insetos.

Embora o parasita já fosse conhecido na área, a densidade populacional da praga disparou neste ano. Outro criador local, João Tobias Neto, também perdeu uma vaca e alerta que a praga não afeta apenas bovinos, mas também suínos, cães e até mesmo seres humanos.

Alteração na rotina e estresse animal

O assédio contínuo das moscas durante o dia modifica totalmente o comportamento do rebanho. Os bovinos evitam deitar, passam o tempo todo se debatendo para espantar os insetos e se aglomeram nos pastos na tentativa de escapar das picadas.

Em sistemas de confinamento, o impacto é direto na nutrição: como o inseto cessa os ataques ao escurecer, o gado só consegue se alimentar durante a noite. Os bezerros figuram entre as vítimas mais vulneráveis a esse estresse físico e nutricional severo.

A relação com a vinhaça e o meio ambiente

Investigações apontam que a proliferação anormal está ligada ao manejo da vinhaça, subproduto da cana-de-açúcar empregado como adubo agrícola. O armazenamento incorreto e o descarte excessivo desse material criam o ambiente propício para o desenvolvimento acelerado do inseto.

Órgãos ambientais estaduais flagraram poças de vinhaça em uma usina local em agosto, empresa que já havia sido autuada em R$ 250 mil em junho por vazamento do resíduo em uma fazenda vizinha. Os criadores enfatizam que a queixa recai sobre a proliferação da praga e não sobre a atividade sucroenergética em si.

Medidas de controle e posicionamento oficial

Diante da gravidade da situação, a Secretaria de Agricultura e Pecuária iniciou visitas técnicas às fazendas para fornecer diretrizes de combate à praga. Entre as recomendações paliativas constam:

* Aplicação de inseticidas e repelentes diretamente nos animais * Rigor na higienização de cochos, restos de feno e silagem * Combate à umidade excessiva nas instalações rurais

Em nota oficial, a Usina Tereos afirmou que o emprego da vinhaça em suas lavouras cumpre rigorosamente as exigências legais e ambientais, além de ressaltar que implementou ações próprias para conter a infestação na zona rural de Tanabi.

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