O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente a inclusão do nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relatórios da Operação Compliance Zero. Para o magistrado, a exposição foi desnecessária e manchou injustamente a reputação do chefe do Ministério Público.
A defesa pública de Paulo Gonet
Em postagem em sua rede social, o decano da Corte classificou Gonet como um profissional de lisura insuspeita. A controvérsia gira em torno de menções ao PGR em um relatório policial ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias e corrupção.
Segundo Gilmar Mendes, o relator do processo na Corte, André Mendonça, reconheceu publicamente a inocência de Gonet, tornando a exposição contraditória. O ministro apontou ainda uma suposta tentativa de exploração política do episódio através da internet.
A resposta de André Mendonça
Em nota oficial divulgada pela assessoria do tribunal, André Mendonça rebateu as acusações e classificou a indignação do colega como seletiva. O relator apontou que a abertura dos dados seguiu estritos limites legais e que a publicidade integral do caso era um pedido antigo do próprio decano.
Além disso, Mendonça citou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) para questionar manifestações públicas sobre processos em andamento e cobrou a implementação urgente de um código de ética interno no tribunal.
Contexto das investigações
A polêmica teve início quando o relator retirou o sigilo de um relatório parcial da Polícia Federal. O documento aponta que o ex-proprietário do Banco Master trocou dezenas de mensagens com autoridades, mencionando nomes que os investigadores associam a Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Diante da repercussão, o Conselho Superior do Ministério Público Federal agendou para o final de setembro uma reunião para avaliar se as menções no relatório afetam a atuação do procurador-geral nas apurações em curso.




