A determinação monocrática que afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, provocou forte reação das principais categorias da corporação. Representantes dos peritos criminais e dos delegados federais contestaram os fundamentos da medida assinada pelo ministro André Mendonça e defenderam a necessidade de blindagem institucional do órgão, exigindo que o tema seja analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Cobrança por estabilidade e blindagem institucional
Para a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) e sindicatos regionais, a decisão expõe a vulnerabilidade da governança policial diante de turbulências políticas. A entidade ressaltou que a PF constitui uma instituição permanente de Estado, com atuação pautada estritamente em critérios técnicos e republicanos.
Para assegurar a estabilidade das atividades policiais, a representação dos delegados formalizou o apoio a quatro reformas estruturais: concessão de autonomia funcional e administrativa plena; instituição de mandato fixo para o diretor-geral, sem coincidência com ciclos eleitorais; exigência de sabatina e aprovação no Senado Federal para a nomeação do chefe da corporação; e ampliação das prerrogativas funcionais da carreira.
Peritos alertam para gravidade de decisão individual
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também manifestou preocupação com o afastamento cautelar, apontando que sanções dessa envergadura demandam indícios concretos e verificáveis. A entidade classificou a medida como de excepcional gravidade e rechaçou a condução monocrática do processo.
De acordo com os peritos, a deliberação colegiada envolvendo os 10 magistrados da Corte Suprema é essencial para garantir a legitimidade do rito, sobretudo por envolver impactos diretos sobre a governança da segurança pública e a harmonia entre os Poderes da República.
Origem da crise e desdobramentos jurídicos
A ordem de André Mendonça atingiu tanto Andrei Rodrigues quanto o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O ministro alegou ter sido alvo de espionagem ilegal por meio de seis relatórios elaborados pela inteligência entre 3 e 31 de agosto, documentos que detalhavam posicionamentos judiciais e contatos com autoridades. Mendonça também determinou apurações criminais e administrativas pela Corregedoria da PF para identificar os mandantes e executores da produção documental.
O caso provocou movimentações rápidas nos bastidores jurídicos de Brasília. A Segunda Turma do STF iniciou votação e formou maioria para manter os afastamentos, mas o procedimento foi paralisado por um pedido de vista de Gilmar Mendes, que solicitou a remessa do processo ao plenário. Em paralelo, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o presidente do STF, Edson Fachin, que estabeleceu prazo de 72 horas para manifestação prévia de Mendonça antes de deliberar sobre a suspensão dos afastamentos.




