O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça utilizou o despacho que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para enviar recados diretos ao colega de Corte Alexandre de Moraes. A medida acirra ainda mais o clima institucional na mais alta Corte do país, marcando um novo capítulo em um embate que ganhou força após a quebra de sigilo de documentos sensíveis.
O contexto do conflito e os relatórios ilegais A tensão entre os magistrados escalou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório revelando mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes durante a crise do Banco Master. Na decisão desta terça-feira, o nome de Moraes aparece citado nove vezes, com o relator argumentando que foi alvo de monitoramento irregular por parte da corporação policial.
Segundo o magistrado, foram produzidos seis relatórios de inteligência considerados apócrifos e sem conformidade técnica para embasar a sua inclusão no chamado Inquérito das Fake News. Posteriormente, esses papéis foram retirados do escopo original por decisão do presidente do STF, Edson Fachin, e remetidos a um novo procedimento sob a relatoria do próprio Fachin.
Uso de discursos anteriores e a tese da arapongagem Para fundamentar suas críticas, Mendonça resgatou posicionamentos anteriores de Moraes sobre a atuação de órgãos estatais. O documento traz trechos em que o próprio colega criticava o uso de estruturas de inteligência para monitorar cidadãos e autoridades, equiparando a conduta a uma verdadeira arapongagem institucional.
Além disso, o ministro levantou suspeitas sobre o fluxo de informações, insinuando que Moraes teria tido acesso prévio a dados sigilosos produzidos contra ele. Para justificar o afastamento do chefe da corporação, o autor do despacho listou precedentes históricos do tribunal, incluindo o afastamento de autoridades como o ex-governador distrital Ibaneis Rocha e ex-integrantes do governo federal.
Crise institucional e próximos passos no Supremo A divergência aberta entre os togados expõe fraturas ideológicas e procedimentais profundas dentro do tribunal. A crise atingiu o ápice quando Moraes pediu a investigação do colega por supostos crimes na condução de processos, gerando forte repercussão nos bastidores jurídicos de Brasília.
Diante do cenário de instabilidade, o presidente da Corte, Edson Fachin, adotou um tom de cautela rigorosa, estabelecendo prazos para que os ministros envolvidos, além da Procuradoria-Geral da República e da própria chefia policial, apresentem suas manifestações oficiais sobre o caso.




