Especialistas apontam que investir na recuperação de áreas degradadas em territórios indígenas exige colocar os povos originários na liderança desse processo, indo muito além do simples plantio de árvores ou da reposição de vegetação.
Benefícios socioambientais da recuperação
A revitalização dessas regiões traz impactos profundos que incluem a proteção de nascentes, a ampliação da segurança alimentar, o resgate de espécies vegetais utilizadas pelas comunidades, a valorização de saberes ancestrais e a geração de renda local.
O tema ganha ainda mais relevância no momento em que o Brasil assume compromissos internacionais mais ambiciosos. Na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o governo brasileiro firmou a meta de recuperar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030, com parte significativa dos esforços voltada para áreas protegidas.
Panorama da degradação na Amazônia
Levantamentos do TerraClass apontam que as terras indígenas da Amazônia concentram quase um milhão de hectares em áreas degradadas, com predominância de pastagens, além de parcelas menores afetadas por agricultura e mineração.
Apesar desse cenário, esses locais continuam sendo os mais preservados do país. O Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas indica que apenas 1,7% da supressão de vegetação nativa brasileira entre 2019 e 2025 ocorreu nesses espaços.
Para especialistas da área, o sucesso de uma iniciativa de restauração ecológica não pode ser medido apenas pela quantidade de hectares recuperados, mas pela autonomia e participação ativa das comunidades locais.
Planejamento e uso de tecnologia
A definição das zonas prioritárias para intervenção representa um desafio logístico e financeiro. Para auxiliar nessa tomada de decisão, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em parceria com organizações ambientalistas e programas internacionais, desenvolveu um sistema integrado de dados.
A ferramenta reúne variáveis sobre segurança hídrica, biodiversidade e mudanças climáticas, permitindo que as lideranças cruzem informações técnicas com suas próprias prioridades de gestão e subsistência.
Resgate cultural e prevenção de impactos
O envolvimento dos povos originários garante que o processo sirva também para resgatar sementes nativas, plantas medicinais e práticas alimentares tradicionais, com forte atuação das mulheres na transmissão desses conhecimentos seculares.
Por fim, os analistas ressaltam que as ações de recuperação ambiental devem estar atreladas à prevenção de novos danos, como incêndios florestais e avanço da mineração, fortalecendo a governança e a resiliência climática das comunidades.




