Uma nota conjunta divulgada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) expressa profunda preocupação com a crise político-institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. O documento conta com o respaldo de outras 57 organizações acadêmicas e de pesquisa do país.
Defesa da transparência e do devido processo legal
O manifesto sublinha que a apuração de eventuais irregularidades deve ocorrer de forma rigorosa e isenta, sempre assegurando o direito à ampla defesa. Para os signatários, a elucidação dos fatos depende exclusivamente de evidências sólidas e procedimentos claros, rechaçando qualquer disputa de narrativas ou tentativas de imunidade para autoridades investigadas.
A presidente da SBPC, Francilene Garcia, ressaltou que o posicionamento coletivo não tem viés partidário, mas visa unicamente a independência democrática. Segundo ela, a repercussão excessiva em torno da crise desvia o foco de problemas cruciais para o desenvolvimento nacional e a qualidade do debate pré-eleitoral.
Riscos de desinformação e vazamentos seletivos
As organizações acadêmicas também alertam para o perigo de o cenário de instabilidade ser explorado por campanhas de desinformação contra o regime democrático. Nesse sentido, criticam a divulgação seletiva de materiais sigilosos, apontando que tal prática transfere para a opinião pública decisões que competem exclusivamente aos órgãos formais de controle.
Por fim, o texto enfatiza que a restauração da confiança pública exige o fortalecimento da autonomia técnica das instituições e do Poder Judiciário, blindando-os contra interferências indevidas em disputas de natureza política ou eleitoral.




