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Caso Master: 3 votos mantêm Paulo Gonet no comando das investigações

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) contabilizou três votos favoráveis à manutenção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente das apurações do caso Master. A discussão avalia um pedido de afastamento protocolado pelo Partido Novo.

Posição do relator pela rejeição da notícia-crime

Até o momento, prevalece o entendimento do subprocurador-geral da República e relator do caso, Francisco de Assis Sanseverino. O magistrado votou pelo arquivamento total da representação apresentada pela legenda política, que levantava suspeitas de suposta prevaricação por parte do chefe da PGR.

Seguiram o entendimento do relator os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari. Contudo, a subprocuradora apresentou divergência pontual quanto ao arquivamento completo, apontando que determinados trechos ainda exigem esclarecimentos adicionais.

Origem das suspeitas e o escândalo financeiro

A representação do Partido Novo fundamenta-se em registros encontrados pela Polícia Federal (PF) no smartphone apreendido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. Vorcaro é o principal investigado na Operação Compliance Zero, que desarticula esquemas de corrupção e fraudes bilionárias, encontrando-se preso preventivamente.

O partido argumenta que citações ao nome de Gonet nas mensagens e anotações do executivo colocam em xeque a lisura da atuação do procurador-geral. Em sua defesa, a relatoria destacou que frases isoladas não podem ser descontextualizadas para criar cenários artificiais.

Análise da atuação funcional e divergências com o STF

O voto do relator concluiu que o gabinete da PGR seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, eficiência e independência funcional. Sanseverino aceitou as justificativas de Gonet sobre sua divergência inicial em relação ao pedido de prisão preventiva de Vorcaro, expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Gonet argumentou que o prazo de 72 horas estipulado pela Corte para analisar milhares de páginas de documentos era exíguo, além de não haver urgência naquele momento específico, já que não havia réus detidos preventivamente. Posteriormente, a PGR manifestou-se diversas vezes pela manutenção da prisão de Vorcaro.

Afastamento de tese sobre amizade e registros fotográficos

O Conselho também avaliou a suposta proximidade entre o procurador-geral e o ex-banqueiro. O relator apontou a inexistência de registros de comunicação direta entre ambos, o que enfraquece a tese de vínculo íntimo.

Sobre a fotografia em que Gonet aparece com um charuto ao lado de Vorcaro e outras pessoas, a relatoria classificou o episódio como um encontro social isolado e superficial. A imagem foi registrada em 2024, durante viagem para um fórum jurídico em Londres patrocinado pelo Master.

Contexto das menções e desdobramentos no Supremo

As menções a Gonet vieram a público após a quebra de sigilo de relatórios da PF pelo STF. O procurador-geral questionou judicialmente a legalidade da investigação sobre suas comunicações, enquanto a defesa esclareceu episódios como mensagens enviadas por intermédio de terceiros e convites para eventos internacionais que acabaram cancelados.

A deliberação do colegiado do MPF prossegue após os trâmites regimentais, definindo os rumos institucionais do órgão diante das repercussões do processo.

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