A trajetória da renomada astrônoma brasileira Duília de Mello mistura curiosidade de infância, formação em universidades públicas do país e descobertas marcantes que ajudam a desvendar os maiores mistérios do cosmo.
As origens e a paixão pelo espaço
Nascida no Rio de Janeiro, Duília nutria fascínio por ficção científica e pelo céu desde pequena. Sem conexões familiares com a área e em uma época sem internet, buscar respostas era um desafio. Aos 16 anos, uma visita ao Observatório do Valongo, da UFRJ, consolidou seu objetivo de se tornar professora e cientista.
Formação na universidade pública
A carreira acadêmica de Duília foi construída inteiramente em instituições públicas brasileiras. Ela cursou Astronomia na UFRJ, obteve o mestrado no Inpe e concluiu o doutorado na USP. A cientista destaca que as bolsas de estudo, desde a iniciação científica até o pós-doutorado, foram fundamentais para sua trajetória, permitindo inclusive que custeasse seu primeiro curso de inglês.
Grandes descobertas na astronomia
Trabalhando com observatórios avançados, como o Telescópio Espacial Hubble, Duília participou de investigações cruciais sobre a evolução de estrelas e galáxias. Em 1997, no Chile, identificou a supernova 1997D, um marco que resgatou o encantamento pela profissão.
Posteriormente, esteve envolvida na identificação das bolhas azuis — aglomerados estelares jovens fora de galáxias — e nos estudos da Galáxia do Condor (NGC 6872), considerada cinco vezes maior que a Via Láctea. O objetivo central dessas pesquisas é entender a formação galáctica e a dispersão de elementos químicos que originaram planetas como a Terra.
O futuro da pesquisa e os grandes enigmas
Atualmente, após atuar em gestão acadêmica nos EUA, Duília retornou ao Brasil para focar na pesquisa no ITA, com apoio da Fapesp. Seus próximos passos incluem o uso de dados do Telescópio Espacial James Webb para analisar galáxias primitivas e a evolução de sua composição química.
Apesar dos saltos tecnológicos, grandes dúvidas permanecem sem solução. Para a astrônoma, os maiores enigmas continuam sendo a matéria escura e a energia escura, cuja composição exata a ciência ainda desconhece. Além disso, ela avalia que a humanidade está próxima de detectar indícios de condições para a vida em outros mundos, embora o contato com civilizações extraterrestres ainda pertença ao campo da ficção.




