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China vira exportadora de frango e ameaça hegemonia do Brasil

A China, historicamente um dos maiores compradores da carne de frango brasileira, está expandindo sua própria produção de forma acelerada e desponta agora como uma potencial concorrente global. O excedente gerado pelas granjas chinesas já começa a ser escoado para o mercado externo, mudando os rumos do comércio internacional de proteínas.

A ascensão da China no mercado global de frango

Dados recentes mostram que o país asiático tornou-se exportador líquido em 2025, comercializando externamente um volume superior ao que adquire de outros países. Embora o Brasil mantenha a liderança isolada nas exportações mundiais — tendo atingido a marca recorde de 5,3 milhões de toneladas em 2025 —, o avanço chinês acende um alerta a médio prazo. Especialistas apontam que a rivalidade comercial deve se intensificar na próxima década, atingindo mercados estratégicos na Ásia, na África e no Oriente Médio.

Mudança de rumo nas importações e consumo interno

Apesar do crescimento externo, a nação asiática ainda figura entre os principais destinos da proteína nacional. De janeiro a julho de 2026, os chineses lideraram as compras do produto brasileiro, somando centenas de milhares de toneladas. No entanto, o apetite chinês por importações tem diminuído gradativamente desde o pico registrado entre 2021 e 2024, reflexo direto da alta na produção interna.

O dinamismo do setor avícola chinês supera o ritmo da demanda local. Enquanto a oferta disparou mais de 9% no primeiro semestre, o consumo interno cresceu em proporções menores, gerando sobras para a exportação. Além disso, os hábitos alimentares locais priorizam cortes como asas e pés, deixando um excedente considerable de peito de frango voltado para o comércio exterior, incluindo tanto itens processados quanto carne in natura.

Estratégia de segurança alimentar e impactos para o agro

O salto na avicultura chinesa decorre de uma estratégia governamental iniciada após a crise da peste suína africana, que encareceu o porco e elevou a participação do frango na dieta local para 28%. A avicultura também consome menos grãos, como milho e farelo de soja, aliviando a dependência externa de insumos.

Ainda assim, barreiras sanitárias, como a exigência de aves não vacinadas contra a gripe aviária em nações da União Europeia e do Japão, limitam o raio de atuação dos concorrentes asiáticos. Para o Brasil, enquanto o frango enfrenta essa nova dinâmica de concorrência, o segmento de carne bovina surge como uma promissora alternativa de expansão a longo prazo no mercado chinês.

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