sexta-feira, outubro 9, 2026
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Pesquisa inédita no ES vai rastrear baleias-jubarte por satélite

Uma pesquisa pioneira no Espírito Santo vai utilizar transmissores via satélite para rastrear os caminhos percorridos por baleias-jubarte durante a temporada reprodutiva. O principal objetivo do projeto é cruzar esses dados de deslocamento com as rotas de grandes embarcações, mapeando os pontos críticos de sobreposição e evitando o atropelamento de animais marinhos no litoral capixaba.

Tráfego intenso e risco de colisões

Todos os anos, centenas de jubartes migram para a costa brasileira em busca de águas quentes para a reprodução e o nascimento de filhotes. No entanto, essa mesma faixa litorânea concentra uma intensa movimentação portuária, gerando um cenário de convivência delicado entre a vida marinha e a economia. Apenas em 2025, terminais como o Complexo Portuário de Tubarão registraram centenas de atracações de navios de grande porte, com dimensões que chegam a superar trezentos metros de comprimento.

Historicamente, pesquisadores registram casos recorrentes de cetáceos com marcas profundas de cortes, cicatrizes e até nadadeiras mutiladas, evidências de choques contra embarcações. Embora algumas lesões cicatrizem ao longo de meses, o perigo permanece constante, afetando tanto fêmeas quanto filhotes que frequentam a região entre Serra, Vitória, Vila Velha e Guarapari.

Tecnologia avançada para proteger os gigantes do mar

Para superar as limitações do monitoramento visual tradicional com drones ou barcos, a nova metodologia prevê a instalação de pequenos dispositivos eletrônicos na região dorsal de dez animais previstos para as temporadas de 2027 e 2028. Pesando menos de cem gramas, os equipamentos funcionarão como um sistema de posicionamento global, fornecendo relatórios contínuos sobre a localização exata, profundidade de mergulho e a proximidade das baleias em relação à costa e aos navios.

Com o suporte financeiro de fundos estaduais de meio ambiente, o estudo reunirá especialistas acadêmicos e pesquisadores internacionais ligados a redes científicas para analisar os hábitos dos mamíferos, que podem alcançar até dezesseis metros de comprimento e pesar quarenta toneladas.

Turismo sustentável e economia azul

Além de subsidiar propostas de mitigação de riscos — como a possível alteração de rotas e o controle de velocidade dos navios mercantes —, a iniciativa fomenta o desenvolvimento regional por meio da chamada economia azul. Um aplicativo dedicado ao turismo de observação de cetáceos está sendo estruturado para conectar visitantes, operadores turísticos e pesquisadores, transformando a preservação da biodiversidade em uma vertente de renda sustentável para as comunidades litorâneas.

Ao integrar inovação tecnológica, segurança na navegação e conservação ambiental, o projeto capixaba busca consolidar um modelo definitivo para resguardar a fauna marinha e garantir que a rota das jubartes continue sendo sinônimo de vida e resistência nos oceanos.

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