A iminência de um possível afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por parte do ministro André Mendonça, gerou forte turbulência nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) desde o final de agosto, culminando em uma série de articulações políticas de emergência.
Reuniões de emergência e tentativa de apaziguamento
Para tentar conter a escalada da crise e preservar o diálogo institucional, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, participaram de diversos encontros de bastidor. No mesmo sentido, o próprio Andrei Rodrigues manteve uma reunião direta com o presidente da Corte, Edson Fachin.
Apesar dos esforços, as conversas não foram suficientes para barrar o desgaste. Integrantes do STF criticaram a apatia do governo diante do confronto inédito, ressaltando que nem mesmo o titular da Pasta da Justiça saiu em defesa pública da instituição policial.
Conflitos em torno de investigações sensíveis
A raiz do atrito envolveu reclamações de Mendonça sobre a condução de apurações delicadas, como a Operação Master e as fraudes nos descontos do INSS. O magistrado apontava suposta seletividade por parte dos investigadores e chegou a instaurar um procedimento interno para apurar se o chefe da corporação estaria tentando obstruir os trabalhos.
Do outro lado, a cúpula da PF acumulava insatisfações com as decisões do magistrado. A situação atingiu um novo patamar quando o ministro Alexandre de Moraes quebrou o sigilo de relatórios de inteligência que mencionavam membros do tribunal e criticavam a postura de Mendonça na relatoria dos casos. Com base nesses papéis, Moraes solicitou formalmente a abertura de uma investigação contra o próprio colega de corte.
Decisões e disputas por controle
O histórico de atritos inclui medidas como a ordem dada por Mendonça, em fevereiro, determinando a manutenção rigorosa do sigilo profissional por parte dos agentes, inclusive em relação a superiores hierárquicos. Outro foco de atrito foi a resistência à tentativa de substituição de delegados que assessoravam o gabinete do ministro, interpretada como tentativa de interferência.
Por fim, relatórios da própria Polícia Federal, que acabaram servindo de base para as movimentações recentes, apontavam que o ministro planejava destituir tanto o diretor-geral da PF quanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob a justificativa de que a proximidade de ambos com magistrados do STF comprometeria a confiabilidade dos cargos. A Advocacia-Geral da União já sinalizou que vai contestar qualquer tentativa de afastamento na chefia policial.




