Após um hipermétro de sete anos sem lançar discos inéditos, o aclamado músico Beck retorna com Ride Lonesome, um trabalho que marca um momento sublime em sua trajetória ao resgatar a sonoridade folk-rock de discos marcantes como Sea Change e Morning Phase.
Uma viagem sonora pela melancolia
Na faixa de abertura que dá nome ao projeto, o artista entoa versos dolorosos embalados por arranjos majestosos, transformando a tristeza em uma experiência sonora grandiosa. O arranjo acústico delicado e as letras carregadas de desolação remetem imediatamente ao clássico Bryter Layter, de Nick Drake, e à estética dos poetas do soft-rock de Laurel Canyon. O músico deixa de lado a antiga ironia pós-moderna para entregar canções onde a beleza melódica atua como verdadeiro remédio para a angústia existencial.
Destaques e referências musicais do repertório
O repertório passeia por diferentes nuances da tristeza com muita sofisticação. Em Run Away, a densidade lírica ganha leveza com influências do folk californiano, enquanto In the Night aprofunda o clima soturno com arranjos de cordas e violões frágeis. Já a faixa Failed Words traz a nostalgia das antigas baladas de rádio dos anos 1970, e Bleed apresenta vocais em camadas que ecoam como um coro celestial e abatido.
Outro ponto alto é Falling Through My Hands, considerada uma das composições mais marcantes sobre romances perdidos já feitas pelo artista, trazendo sopros, ecos vocais inspirados nos Beach Boys e um sutil solo de gaita. O disco ainda conta com momentos intensos como If You Don’t Know What Love Is e se encerra com a emocionante Beyond the Light.
Recepção da crítica especializada
Com uma atmosfera nebulosa e imersiva que lembra uma flutuação em líquido amniótico, o novo projeto mantém a força individual de cada faixa sem perder o dinamismo. O álbum Ride Lonesome conquistou nota quatro de cinco estrelas, provando que o cantor continua no auge de sua forma artística.




