Moradores de uma pequena ilha no Pacífico estão apreensivos com o avanço de grandes projetos militares liderados pelos Estados Unidos, temendo que o território se transforme em um alvo estratégico em um eventual conflito entre grandes potências globais.
Expansão portuária e bases estratégicas
O plano principal envolve a reconstrução e ampliação do porto de Palau, com um investimento estimado em US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,6 bilhões. A obra pretende transformar um antigo cais construído pelo Japão na Segunda Guerra Mundial em um ponto de recepção para navios norte-americanos.
Além disso, o arquipélago deverá abrigar a principal base estrangeira para equipes de construção militar dos EUA a partir do próximo ano. O pacote de intervenções inclui a instalação de radares, a ampliação de um aeródromo remoto para aeronaves grandes e a criação de um depósito logístico restrito com mais de 930 metros quadrados para fuzileiros navais.
Preocupações com a segurança local
Localizado a cerca de 800 quilômetros a oeste do Mar da China Meridional, o arquipélago abriga aproximadamente 17 mil habitantes em menos de 458 quilômetros quadrados de área terrestre. A posição geográfica sensível motivou o envio de uma petição ao Congresso local assinada por duas mil pessoas, exigindo garantias de segurança a Washington.
O acordo de livre associação entre os países permite que cidadãos locais trabalhem e estudem nos EUA sem visto, enquanto o governo norte-americano ganha acesso militar ao território. Contudo, especialistas locais avaliam que a militarização inédita coloca a ilha diretamente na linha de mira da chamada segunda cadeia de ilhas, um alinhamento fundamental para o planejamento estratégico em confrontos na Ásia.
Impactos ambientais e resistência
Enquanto autoridades dos EUA argumentam que a dragagem e as melhorias trarão benefícios logísticos civis e militares, cientistas e ambientalistas alertam para os danos ecológicos irreversíveis. As intervenções ocorrem em Koror, centro turístico e Patrimônio Mundial da Unesco, conhecido por suas lagoas cristalinas e rica biodiversidade.
Estudos indicam que a dragagem no porto de Malakal resultará na destruição de mais de quatro hectares de corais. Especialistas e organizações de preservação também manifestam receio quanto à sobrevivência de espécies vulneráveis, como dugongos e tartarugas, ameaçadas pelas nuvens de sedimentos e pela movimentação de embarcações.
Diante das críticas, o presidente de Palau, Surangel Whipps, tem defendido publicamente a modernização, justificando que a estrutura anterior estava deteriorada e precisava de intervenção urgente. Enquanto as obras avançam, a comunidade local permanece dividida entre a necessidade de melhorias na infraestrutura e o medo de se tornar vulnerável em um cenário geopolítico global cada vez mais tenso.




