O analfabetismo entre jovens e adultos com deficiência de 15 a 29 anos atingiu 12,2% em 2022, marcando um índice 12 vezes superior ao registrado na população sem deficiência da mesma faixa etária, que ficou em 1%. Os dados inéditos foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com base no Censo Demográfico.
Desigualdade geracional e exclusão escolar
De acordo com especialistas do instituto, historicamente o grupo apresenta taxas elevadas devido à concentração entre os idosos, que pertencem a gerações menos escolarizadas. Contudo, o recorte exclusivo da juventude comprova que a disparidade educacional vai muito além da questão geracional.
A exclusão também se reflete na frequência às salas de aula. Entre crianças de 6 a 14 anos, a taxa escolar foi de 92,6% para o grupo, contra 98,4% dos demais. Já na faixa de 15 a 17 anos, os percentuais foram de 79,5% e 85,4%, respectivamente. O cenário é ainda mais crítico para estudantes com deficiência profunda, cujos índices de frequência caíram para 82,3% (6 a 14 anos) e 65,6% (15 a 17 anos).
Impacto por tipo de deficiência
O levantamento detalha que o analfabetismo atinge com mais força os indivíduos com dificuldades associadas às funções mentais, alcançando 40,4%, e aqueles que possuem mais de um tipo de deficiência, com 34%.
Mesmo no grupo com menor índice — pessoas com alguma dificuldade para enxergar —, a taxa de 3,5% é mais do que o triplo da observada entre pessoas sem deficiência. Os demais percentuais indicam 10% de analfabetismo entre quem tem dificuldade de ouvir, 23,3% para locomoção reduzida e 31,3% para dificuldades em pegar objetos pequenos.
Infraestrutura e desafios nas escolas
No que tange à infraestrutura escolar, dados recentes apontam que apenas 57% das instituições possuem banheiros acessíveis, 30% contam com salas de recursos multifuncionais e 26,2% dispõem de profissionais de apoio. Apenas 78,5% das escolas possuem pelo menos um desses recursos de acessibilidade.
A rede privada lidera na oferta de banheiros acessíveis (64,4% contra 54,8% da pública). Por outro lado, a rede pública se destaca na presença de profissionais de apoio (32,8% contra 4,6%) e de salas de atendimento especializado, presentes em 34,5% das escolas públicas e em 15,2% das particulares.
Avanços no Ensino Superior
Apesar dos desafios na base educacional, o ensino superior registrou um salto expressivo na última década. Entre 2014 e 2024, o número de matrículas de estudantes com deficiência quase triplicou, saltando de 33.377 para 95.572 alunos, o que elevou a representatividade de 0,43% para 0,93% do total de universitários no país.
O crescimento foi impulsionado sobretudo pela modalidade de educação a distância. Enquanto as turmas presenciais quase dobraram de tamanho — de 26.637 para 50.609 matrículas —, o ensino a distância expandiu mais de seis vezes no mesmo período, passando de 6.740 para 44.963 estudantes matriculados.




