quinta-feira, outubro 8, 2026
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Bets entre jovens: 20% dos estudantes já apostaram online

Uma pesquisa divulgada pela Frente Parlamentar Mista da Educação aponta que 20,4% dos alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio já realizaram apostas online em plataformas de bets. Entre os estudantes do terceiro ano do ensino médio, o índice impressiona e alcança 49,7% dos entrevistados.

Metodologia e início precoce O estudo foi conduzido em parceria com a Equidade.info e ouviu 1.912 alunos distribuídos em 191 instituições de ensino por todo o território nacional, por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados aplicados entre agosto e setembro. O dado mais alarmante da investigação é a precocidade com que a prática se inicia: cerca de 9,5% das crianças de até 11 anos de idade já participaram de jogos de azar virtuais, embora a legislação brasileira proíba estritamente o acesso de menores de idade a esses sites.

Perfil dos apostadores Os recortes demográficos do levantamento demonstram que os rapazes se envolvem com as plataformas de apostas em proporção bem maior, registrando 27,8%, enquanto o público feminino atinge 12,6%. A disparidade se acentua com o avanço escolar: no ensino médio, 41,7% dos meninos já apostaram, mais que o dobro dos 19% contabilizados entre os alunos do ensino fundamental 2.

Impacto financeiro e limitações da educação financeira As projeções indicam que as perdas financeiras acumuladas pelo público analisado podem superar a marca de R$ 1 bilhão. Além disso, o levantamento contesta a eficácia da educação financeira isolada como barreira de proteção. Conforme os dados, escolas com índices mais elevados de letramento financeiro apresentam estudantes com maior propensão a apostar e menor controle sobre o fluxo de ganhos e prejuízos.

Soluções estruturais contra o avanço das apostas Para o pesquisador Guilherme Lichand, professor da Stanford Graduate School of Education e coordenador do estudo, focar exclusivamente na conduta individual do usuário é ineficaz. O especialista aponta que artifícios como lembretes de perdas passadas, sugeridos pelas empresas, não funcionam na prática e apenas transferem a culpa para o apostador.

Diante desse cenário, os organizadores do estudo defendem a implementação de políticas públicas rígidas. As recomendações centrais incluem a proibição de propagandas comerciais, a aplicação de tributos expressivos sobre os valores movimentados nas plataformas e o fortalecimento de salvaguardas direcionadas à proteção de menores de 18 anos.

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